Pessoal,
Selecionei alguns exercícios interessantes sobre leitura de vestibulares e do ENEM. Como já disse inúmeras vezes, as provas dos vestibulares são, antes de tudo, provas de leitura. Com exceção da LPLB - prova específica da UERJ, feita apenas pelos candidatos ao curso de Letras ou Direito - os vestibulares não mais pedem que o candidato saiba classificar palavras ou estruturas (substantivo, objeto direto etc.). Essas palavras podem até aparecer nas questões, mas o que se avalia, no geral, é a capacidade de o aluno de compreender as diferenças de sentido entre o uso de uma estrutura ou tipo de palavra e não de outra (Exemplo: a questão sobre advérbios, na prova da UERJ de domingo passado, não cobrava que o aluno soubesse o que é um advérbio - prova disso é que os advérbios já estavam sublinhados; para resolver aquela questão, o aluno precisava encontrar um advérbio que dava um determinado sentido - no caso, sentido de relativização - ao enunciado. E como fazer para encontrar o advérbio que dava esse sentido? Por meio da leitura!).
Além disso, como vocês sabem, há, nos vestibulares, muitas questões voltadas especificamente para a compreensão global de textos - a prova da UERJ estava recheada delas. O aluno precisa saber ler textos verbais e não verbais. Deve ser capaz, ainda, de entender os sentidos dos textos e de inferir sentidos que nem sempre estão explícitos no texto.
Enfim, por causa desse foco na leitura - e por muitos outros motivos mais relevantes - é importante desenvolver a nossa competência leitora, certo? Portanto, façam os exercícios sobre leitura! Quem tiver dúvida pode ligar para o 0800 ou me mandar um e-mail!
Seguem abaixo os exercícios. Quem quiser o gabarito, tem de me pedir por e-mail (gustavolistopvscederj@gmail.com) - sim, eu sou chato, quero saber quem está realmente fazendo os exercícios.
Abraço a todos,
Gustavo
QUESTÕES SOBRE LEITURA
1- ENEM 2007
Não só de aspectos físicos se constitui a cultura de um povo. Há muito mais, contido nas tradições, no folclore, nos saberes, nas línguas, nas festas e em diversos outros aspectos e manifestações transmitidas oral ou gestualmente, recriados coletivamente e modificados ao longo do tempo. A essa porção intangível da herança cultural dos povos dá-se o nome de patrimônio cultural imaterial.
Qual das figuras abaixo retrata patrimônio imaterial da cultura de um povo?
2- UFJF 2008 (OBS.: desculpem-me pelo tamanho; espero que seja possível ler mesmo assim pequeno)
3- UF-Pelotas
Categorizar grupos sociais a partir de idéias preconcebidas os chamados estereótipos – é algo muito comum em nossa sociedade. É sobre esse tema que trata, com humor, o seguinte texto do cronista Luís Fernando Veríssimo.
Aí, galera
Jogadores de futebol podem ser vítimas de estereotipação. Por exemplo, você pode imaginar um jogador de futebol dizendo “estereotipação”? E, no entanto, por que não?
― Aí, campeão. Uma palavrinha pra galera.
― Minha saudação aos aficionados do clube e aos demais esportistas, aqui presentes ou no recesso dos seus lares.
― Como é?
― Aí, galera.
― Quais são as instruções do técnico?
― Nosso treinador vaticinou que, com um trabalho de contenção coordenada, com energia otimizada, na zona de preparação, aumentam as probabilidades de, recuperado o esférico, concatenarmos um contragolpe agudo com parcimônia de meios e extrema objetividade, valendo nos da desestruturação momentânea do sistema oposto, surpreendido pela reversão inesperada do fluxo da ação.
― Ahn?
― É pra dividir no meio e ir pra cima pra pegá eles sem calça.
― Certo. Você quer dizer mais alguma coisa?
― Posso dirigir uma mensagem de caráter sentimental, algo banal, talvez mesmo previsível e
piegas, a uma pessoa à qual sou ligado por razões, inclusive, genéticas?
― Pode.
― Uma saudação para a minha progenitora.
― Como é?
― Alô, mamãe!
― Estou vendo que você é um, um...
― Um jogador que confunde o entrevistador, pois não corresponde à expectativa de que o atleta seja um ser algo primitivo com dificuldade de expressão e assim sabota a estereotipação.
― Estereoquê?
― Um chato?
― Isso.
Luís Fernando Veríssimo (In: Correio Brasiliense, 13/05/1998)
Analise as seguintes asserções.
I. O efeito cômico do texto deriva do contraste entre a idéia preconcebida do
Entrevistador sobre um jogador de futebol e as características do jogador entrevistado.
II. O cronista satiriza a classe de jogadores, uma vez que, para ele, nenhum jogador apresenta domínio da variante padrão da língua portuguesa em entrevistas.
III. A crônica é um gênero textual de inspiração quotidiana, marcado por uma menor expressividade, visto que não apresenta trabalho de linguagem apurado como os textos de outros gêneros tais quais os poemas ou romances.
IV. O termo “inclusive”, sublinhado no texto, indica que as ligações entre o jogador e a mãe dele não são apenas sanguíneas. Sentido este que seria perdido, caso o termo fosse substituído por “preponderantemente”.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) II e III. b) I e III. c) I e II. d) I e IV. e) II, III e IV.
4- UFPA-PA
A Canção do exílio, do romântico Gonçalves Dias, foi escrita em 1843. Até hoje têm sido feitas várias releituras desse poema marcado pela exaltação da natureza e pela idealização excessiva de nação, muitas delas mostrando “outras caras” do Brasil. O quadrinho de Caulos, abaixo, é uma dessas releituras, e nele percebemos principalmente a:
a) retomada do tema do exílio dentro da própria pátria. b) crítica ambiental e política. c) presença estrangeira na realidade sociocultural brasileira. d) revalorização de símbolos nacionais, como o sabiá. |
e) busca de autenticidade da expressão linguística brasileira.
(Caluos. Vida de Passarinho. In: Nossa História. F. B. Nacional. Ano 1. nº 5. 2004. p.70.)
5- CEFET – MG
Heavy metal do senhor
o cara mais underground que eu conheço é o diabo que no inferno toca cover das canções celestiais com sua banda formada só por anjos decaídos
enquanto isso deus brinca de gangorra no playground do céu com os santos que já foram homens de pecado de repente os santos falam “toca deus um som maneiro” e deus fala “agüenta vou rolar um som pesado”
a banda cover do diabo acho que já tá por fora o mercado tá de olho é no som que deus criou com trombetas distorcidas e harpas envenenadas mundo inteiro vai pirar com o heavy metal do senhor.
(BALEIRO, Zeca. Por onde andará Stephen Fry? In: CEREJA, William R. & MAGALHÃES, Thereza C. Gramática reflexiva. São Paulo: Atual, 1999. p. 13)
Considerando-se a mescla de discursos sociais no texto, as expressões que implicam o uso moderado e socialmente elevado da linguagem são:
a) cara, cover, som pesado. b) senhor, harpa, anjos decaídos. c) underground, heavy metal, banda. d) inferno, canções celestiais, gangorra. |
6- UFMG 2006
INSTRUÇÃO: As questões de 06 a 13 devem ser respondidas com base no texto abaixo. Leia atentamente todo o texto antes de responder a elas.
O contrato de casamento
Na semana passada, comemorei trinta anos de casamento. Recebemos dezenas de congratulações de nossos amigos, algumas com o seguinte adendo assustador: “Coisa rara hoje em dia”. De fato, 40% de meus amigos de infância já se separaram, e o filme ainda nem terminou. Pelo jeito, estamos nos esquecendo da essência do contrato de casamento, que é a promessa de amar o outro para sempre. Muitos casais no altar acreditam que estão prometendo amar um ao outro enquanto o casamento durar. Mas isso não é um contrato. Recentemente, vi um filme em que o mocinho terminava o namoro dizendo “vou sempre amar você”, como se fosse um prêmio de consolação. Banalizamos a frase mais importante do casamento. Hoje, promete-se amar o cônjuge até o dia em que alguém mais interessante apareça. “Eu amarei você para sempre” deixou de ser uma promessa social e passou a ser simplesmente uma frase dita para enganar o outro. Contratos, inclusive os de casamento, são realizados justamente porque o futuro é incerto e imprevisível. Antigamente, os casamentos eram feitos aos 20 anos de idade, depois de uns três anos de namoro. A chance de você encontrar sua alma gêmea nesse curto período de pesquisa era de somente 10%, enquanto 90% das mulheres e homens de sua vida você iria conhecer provavelmente já depois de casado. Estatisticamente, o homem ou a mulher “ideal” para você aparecerá somente, de fato, depois do casamento, não antes. Isso significa que provavelmente seu “verdadeiro amor” estará no grupo que você ainda não conhece, e não no grupinho de cerca de noventa amigos da adolescência, do qual saiu seu par. E aí, o que fazer? Pedir divórcio, separar-se também dos filhos, só porque deu azar? O contrato de casamento foi feito para resolver justamente esse problema. Nunca temos na vida todas as informações necessárias para tomar as decisões corretas. As promessas e os contratos preenchem essa lacuna, preenchem essa incerteza, sem a qual ficaríamos todos paralisados à espera de mais informação. Quando você promete amar alguém para sempre, está prometendo o seguinte: “Eu sei que nós dois somos jovens e que vamos viver até os 80 anos de idade. Sei que inexoravelmente encontrarei centenas de mulheres mais bonitas e mais inteligentes que você ao longo de minha vida e que você encontrará dezenas de homens mais bonitos e mais inteligentes que eu. É justamente por isso que prometo amar você para sempre e abrir mão desde já dessas dezenas de oportunidades conjugais que surgirão em meu futuro. Não quero ficar morrendo de ciúme cada vez que você conversar com um homem sensual nem ficar preocupado com o futuro de nosso relacionamento. Nem você vai querer ficar preocupada cada vez que eu conversar com uma mulher provocante. Prometo amar você para sempre, para que possamos nos casar e viver em harmonia”. Homens e mulheres que conheceram alguém “melhor” e acham agora que cometeram enorme erro quando se casaram com o atual cônjuge esqueceram a premissa básica e o espírito do contrato de casamento. O objetivo do casamento não é escolher o melhor par possível mundo afora, mas construir o melhor
relacionamento possível com quem você prometeu amar para sempre.
Um dia, vocês terão filhos e, ao colocá-los na cama, dirão a mesma frase: que irão amá-los para sempre. Não conheço pais que pensam em trocar os filhos pelos filhos mais comportados do vizinho. Não conheço filho que aceite, de início, a separação dos pais e, quando estes se separam, não sonhe com a reconciliação da família. Nem conheço filho que queira trocar os pais por outros “melhores”. Eles aprendem a conviver com os pais que têm. Casamento é o compromisso de aprender a resolver as brigas e as rusgas do dia-a-dia de forma construtiva, o que muitos casais não aprendem, e alguns nem tentam aprender. Obviamente, se sua esposa se transformou numa megera ou seu marido num monstro, ou se fizeram propaganda enganosa, a situação muda. Para aqueles que querem ter vantagem em tudo na vida, talvez a saída seja postergar o casamento até os 80 anos. Aí, você terá certeza de tudo.
KANITZ, Stephen. Ponto de Vista. VEJA, Rio de Janeiro, 29 set. 2004. p.22. (Texto adaptado)
QUESTÃO 06
Com base na leitura do texto, é CORRETO afirmar que a noção de contrato nele defendida é a de:
A) documento formal e oficial resultante de um acordo entre duas ou mais pessoas que se associam.
B) acordo entre pessoas que transferem uma à outra algum direito e que se sujeitam a algumas obrigações.
C) pacto em que as partes revelam inabilidade e incapacidade de assumir obrigações recíprocas.
D) compromisso assumido por duas pessoas, que depende do futuro para se firmar e aperfeiçoar.
QUESTÃO 07
Com base na leitura feita, é CORRETO afirmar que o objetivo principal do texto é:
A) informar as vantagens de um casamento sólido, de muitos anos.
B) demonstrar as razões por que as pessoas devem se casar.
C) provocar reflexão sobre o compromisso firmado no casamento.
D) denunciar alguns perigos gerados por casamentos precoces.
QUESTÃO 08
Assinale a alternativa em que a palavra destacada NÃO pode ser substituída pela palavra entre colchetes, porque essa substituição altera o sentido original do texto.
A) Recebemos dezenas de congratulações de nossos amigos, algumas com o seguinte adendo assustador... (linhas 2-3) [ACRÉSCIMO]
B) Homens e mulheres que conheceram alguém “melhor” [...] esqueceram a premissa básica e o espírito do contrato de casamento. (linhas 41-44)
[DEDUÇÃO]
C) Sei que inexoravelmente encontrarei centenas de mulheres mais bonitas e mais inteligentes que você ao longo de minha vida... (linhas 31-33) [FATALMENTE]
D) Para aqueles que querem ter vantagem em tudo na vida, talvez a saída seja postergar o casamento até os 80 anos. (linhas 57-58) [ADIAR]
QUESTÃO 09
Assinale a alternativa em que o texto transcrito NÃO apresenta uma opinião.
A) Nunca temos na vida todas as informações necessárias para tomar as decisões corretas. (linhas 26-27)
B) Antigamente, os casamentos eram feitos aos 20 anos de idade, depois de uns três anos de namoro. (linhas 15-17)
C) Obviamente, se sua esposa se transformou numa megera ou seu marido num monstro, [...] a situação muda. (linhas 55-57)
D) Casamento é o compromisso de aprender a resolver as brigas e as rusgas do dia-a-dia de forma construtiva... (linhas 53-54)
QUESTÃO 10
Considerando-se as informações do texto, é CORRETO afirmar que a relação entre casamento e contrato é apresentada com o objetivo de:
A) dizer que o amor não é mais tão importante nos casamentos da atualidade.
B) apontar a falta de sinceridade dos noivos ao jurar amor ao marido ou à esposa.
C) mostrar que o casamento contemporâneo é celebrado com prazo determinado.
D) demonstrar que o casamento requer compromisso previamente definido.
QUESTÃO 11
É CORRETO afirmar que, entre os recursos empregados no desenvolvimento do texto, NÃO se inclui:
A) o emprego de marcas de interação com o leitor.
B) a exposição de resultados dos contratos de casamento.
C) o uso de argumentos baseados em dados numéricos.
D) a inserção de perguntas sem respostas precisas.
QUESTÃO 12
É CORRETO afirmar que, entre as funções do emprego de aspas no texto,
NÃO se inclui a de:
A) explicar um ponto de vista mais detalhadamente.
B) chamar a atenção do leitor para o termo destacado.
C) indicar a citação textual da fala de outra pessoa.
D) demarcar a interrupção da argumentação do autor.